O que é o Yoga?

1. O que é o Yoga? Descobre o verdadeiro significado desta Sabedoria Multimilenar


Quando ouvimos a palavra Yoga, é natural que surjam diferentes imagens na nossa mente. 

Para algumas pessoas, o Yoga resume-se a um conjunto de posições. Outras associam-no ao relaxamento, à meditação ou a uma prática reservada a pessoas muito flexíveis. Há ainda quem o veja apenas como uma forma de exercício físico ou uma técnica para reduzir o stress. 

Mas será que o Yoga é apenas isso? 
A resposta é não. 

Na realidade, o Yoga é uma Sabedoria Multimilenar muito mais vasta, profunda e abrangente do que aquilo que habitualmente imaginamos. Ao longo de milhares de anos, foi transmitido de geração em geração como um caminho de desenvolvimento integral do Ser Humano, procurando harmonizar o corpo, a energia, as emoções, a mente. 

Neste artigo vamos explorar o verdadeiro significado da palavra Yoga, compreender a sua origem, perceber como este conhecimento atravessou os milénios até chegar aos nossos dias e descobrir porque continua a ser tão atual. 

Se alguma vez te perguntaste “Afinal, o que é o Yoga?”, este artigo é para ti. 

2. Como se escreve e como se pronuncia corretamente a palavra Yoga?


Antes de compreendermos o significado do Yoga, vale a pena esclarecer uma questão simples, mas muito importante: como se escreve e como se pronuncia corretamente esta palavra?
 
A palavra Yoga tem origem no Samskrta, uma língua ancestral da Índia, escrita tradicionalmente no alfabeto Devanágari. Considerada por muitos estudiosos como uma das mais antigas línguas indo-europeias, o Samskrta distingue-se pela extraordinária precisão da sua fonética. 

Ao contrário do português, onde uma mesma letra pode assumir diferentes sons, no Samskrta cada letra corresponde, por norma, a um único som. Essa precisão faz com que, ao transcrever as palavras para o nosso alfabeto, se procure preservar a sua pronúncia original através de um processo chamado transliteração. 

2.1. O que é uma transliteração? 


A transliteração consiste em representar uma palavra escrita num determinado alfabeto utilizando outro alfabeto, procurando manter a sua sonoridade original. 

Não se trata de uma tradução, mas de um sistema que permite transportar a pronúncia de uma língua para outra com o maior rigor possível. 

No caso da palavra Yoga, a forma correta de transliteração preserva a letra Ya, presente no original em Samskrta. 

Por isso, a palavra escreve-se Yoga e pronuncia-se “Youga”. 

É também importante compreender que a vogal “O” no Samskrta possui sempre um som fechado (“ou”), ao contrário do português, onde pode assumir diferentes pronúncias. 

Diz-se “o Yoga” ou “a Yoga”? 

Outra dúvida frequente diz respeito ao género da palavra. 

A forma correta é o Yoga. 

Embora, em português, muitas palavras terminadas em “a” sejam femininas, existem várias exceções, como o aroma, o programa, o cinema ou o papa. 

Da mesma forma, Yoga é uma palavra masculina, respeitando a tradição gramatical do Samskrta. 

2.2. O significado da palavra Yoga  


Saber escrever e pronunciar corretamente a palavra Yoga é importante. Mas compreender o seu significado é ainda mais importante. 

A palavra Yoga deriva da raiz Samskrta Yuj = jugo, que significa juntar, ou ligar. 

Mas juntar ou ligar o quê? 

Essa é precisamente a pergunta que nos conduz ao verdadeiro entendimento do Yoga e que iremos explorar ao longo deste artigo. 

3. O que é o Yoga Sámkhya?   


Agora que já compreendemos como se escreve, se pronuncia e qual o significado da palavra Yoga, podemos finalmente responder à pergunta central deste artigo: 

3.1. O que é o Yoga?


O Yoga é uma Sabedoria Multimilenar. Presumimos que remonta há pelo menos 12.000 anos, à antiga civilização Drávida, que habitava os vales dos rios Indus-Sarasvatí, na Índia.  

Ao longo de milénios, esta sabedoria foi sendo praticada em diferentes épocas e contextos culturais, dando origem a diversas interpretações e escolas. Por isso, é importante esclarecer que, ao longo deste artigo e do Yoga Tavira Podcast, quando falamos de Yoga estamos especificamente a referir-nos ao Yoga Sámkhya, tradição na qual assenta todo o ensino desenvolvido no Āshrama Tavira. 

Quero também deixar claro que todos os conceitos e definições apresentados neste artigo foram aprendidos com o meu Sat Guru Jí, no âmbito da tradição do Yoga Sámkhya. Mais adiante compreenderemos por que razão a transmissão de Mestre para Discípulo ocupa um lugar tão importante nesta Filosofia. 

Yoga e Sámkhya: as duas filosofias eternamente unas 

O Yoga e o Sámkhya são dois dos seis grandes sistemas filosóficos da Índia, tradicionalmente conhecidos como Darshana, palavra que significa “ponto de vista” ou “forma de ver a realidade”. 

No entanto, nas suas origens, Yoga e Sámkhya não eram filosofias independentes. 

Pelo contrário, constituíam um único sistema filosófico, motivo pelo qual são designados na tradição como Sanátana Dve — “as duas filosofias eternamente unas”. 

Enquanto o Sámkhya representa a dimensão teórica da Filosofia Completa, o Yoga constitui a sua dimensão prática. 

3.2. O Sámkhya


O Sámkhya é uma Filosofia essencialmente cosmogénica e antropogénica. É uma Sabedoria, Filosofia, essencialmente Cosmogénica e Antropogénica, estudando assim o ser humano e o cosmos. É naturalista e técnica, e a palavra significa número, ou razão. O Sámkhya não é especulativo, é descritivo. Este descreve a cosmogénege, desde antes do início do universo, até ao seu pós “fim”, nos seus ciclos – shesha.

3.3. O Yoga 


O Yoga é a zona aplicada da Grande Filosofia. Ensina o Homem a desenvolver-se e a assumir-se como feito à imagem e semelhança do Grande Potencial Criador, composto de todos os estratos cósmicos.  

O Sámkhya é a chave filosófica do Yoga, e o Yoga é o Sámkhya aplicado ao Ser Humano. 

3.4. O testemunho das Escrituras


Esta unidade entre Yoga e Sámkhya encontra-se igualmente expressa no Bhagavad Gítá. 

No capítulo III, Íshvara Krshna diz: 

“Os ignorantes falam do Sámkhya e do Yoga separadamente (como de duas vias diferentes), mas não assim as pessoas instruídas que, dedicando-se a um, conhecem igualmente bem o fruto de ambos”.  

Também a investigadora Tara Michael, na obra O Yoga, sublinha: 

“Se bem que o Sámkhya se defina como um sistema completo, autossuficiente, que permite ao homem atingir a finalidade última da existência, tem a sua aplicação natural nos métodos do Yoga, e todo o esforço do Yogi é incompreensível se não tivermos em conta os dados fundamentais estabelecidos pelo Sámkhya. Acontece, porém, com muita frequência que os estudiosos do Yoga se lancem nesta via sem um conhecimento prévio dos princípios do Sámkhya (…)”. 

Mahá rshi Patañjali e o Yoga Sútra 

Cerca de 2.300 anos atrás, Mahá rshi Patañjali foi o codificador do Yoga, ou seja, organizou e sistematizou muitos dos ensinamentos do Yoga na sua obra conhecida como Yoga Sútra, dizendo nesta obra que vai falar do Sámkhya extraindo dele o seu lado prático, o Yoga. 

Ao reunir estes ensinamentos de forma estruturada, Patañjali consolidou o Yoga como um dos seis Darshana, ao lado do Sámkhya (que já se encontrava codificado), e assim fechou o número dos Sistemas Filosóficos Hindus.  

3.5. Os dois grandes objetivos do Yoga 


O Yoga propõe dois objetivos: 

1. Desenvolver o Ser Humano, sempre em Harmonia, em todas as suas facetas positivas, mantendo-o no seu estado natural, saudável e feliz, sempre com uma forte base de autoexigência e fraterna. Onde a Via (o Percurso que trilhamos) deve estar sempre de acordo com o Grandioso Fim, o  

2. Atingir o Samádhi (Iluminação) – Suprema Consciência Intelectiva Humano-Cósmica.  

Por isso, quando falamos do Yoga, não estamos apenas a falar de posições, exercícios respiratórios, …estamos a falar de uma das mais antigas e completas filosofias de desenvolvimento humano que chegaram até aos nossos dias, e que propõe atingir a meta mais elevada que o Ser Humano pode almejar, a Iluminação.  

4. Como chegou o Yoga até aos nossos dias? 


Há uma pergunta que merece a nossa reflexão. 

Como é que uma Filosofia com milhares de anos conseguiu atravessar o tempo e chegar praticamente intacta aos nossos dias? 

Vivemos numa época em que a informação circula a uma velocidade impressionante. Livros tornam-se obsoletos em poucos anos, tecnologias desaparecem rapidamente e até acontecimentos que hoje parecem marcantes acabam por ser esquecidos com o passar das gerações. 

Então, como explicar que uma Sabedoria com cerca de 12.000 anos continue viva? 

Algo que atravessa milénios merece, no mínimo, o nosso respeito e a nossa atenção. 

A resposta encontra-se na forma como este conhecimento foi preservado ao longo da História. 

A tradição oral: transmitir de Mestre para Discípulo 

Durante grande parte da sua existência, o Yoga não era transmitido através de livros. 

Como tudo o que nessa época remota era muito importante, era ensinado oralmente do Grande Mestre ao(s) Discípulo(s), nada era escrito.  

O discípulo ouvia, repetia, memorizava e praticava. Dessa forma, o conhecimento permanecia vivo, preservando não apenas as palavras, mas também a experiência e o significado profundo de cada ensinamento. 

Longe de representar uma limitação, este método constituía uma forma extremamente sofisticada de preservar o conhecimento – memória.  

Foi este sistema que permitiu ao Yoga atravessar milhares de anos sem perder a sua essência. 

4.1. Gurukulam e Param Pará 


Na tradição do Yoga existem dois conceitos fundamentais que ajudam a compreender esta forma de transmissão. 

O Gurukulam  é o Sistema através do qual o Mestre passa o conhecimento a um grupo de discípulos.  

Já Param Pará refere-se à própria passagem desse conhecimento de Mestre para discípulo, de geração em geração, ao longo do tempo. 

Graças a esta cadeia contínua de transmissão, o Yoga permaneceu vivo ao longo dos séculos. 

4.2. Qual é o papel do Mestre? 


Nos dias de hoje, a palavra “Mestre” pode suscitar diferentes interpretações. No entanto, no contexto do Yoga, o seu significado é bastante simples. 

Um Mestre é alguém que percorreu um determinado caminho durante muitos anos e que, por isso, possui experiência suficiente para orientar quem inicia essa mesma caminhada. 

Na realidade, este princípio existe em praticamente todas as áreas da vida. 

Durante séculos, quem desejava aprender um ofício procurava um mestre artesão. Atualmente, é comum falarmos em mentores, professores ou orientadores. 

Os nomes podem mudar, mas a lógica permanece exatamente a mesma: aprendemos com quem já percorreu o caminho antes de nós. 

Uma aprendizagem que atravessa gerações 

O conhecimento nunca surge do nada. 

Aprendemos com os nossos pais, com os nossos professores, com os autores dos livros que lemos e com todas as pessoas que, de alguma forma, nos transmitem aquilo que anteriormente também aprenderam. 

No Yoga acontece precisamente o mesmo. 

Tudo aquilo que hoje ensino foi aprendido com o meu Sat Guru Jí e com a minha Paramá Guru. Naturalmente, a forma como compreendo e transmito esta Filosofia reflete aquilo que recebi dos meus Mestres. 

É por isso que, no Yoga, a relação entre Mestre e Discípulo não é uma questão de autoridade, mas de continuidade. 

Cada geração preserva um património de conhecimento e transmite-o à geração seguinte. 

4.3. Mais do que livros


Nem todo o conhecimento pode ser plenamente compreendido apenas através dos livros, por isso, mesmo depois da publicação de inúmeras obras sobre Yoga, a transmissão direta continuou a ser essencial, porque muita dessa Sabedoria continua a ser reservada – Gupta. 

Por essa razão, a relação entre Mestre e Discípulo continua a ocupar um lugar central no Yoga Tradicional.  

4.4. Uma Sabedoria que continua viva 


Foi graças à tradição oral que o Yoga conseguiu atravessar milénios, preservando a sua essência até aos nossos dias. 

Compreendemos agora que o Yoga é muito mais do que uma prática física: é uma Filosofia de desenvolvimento humano transmitida cuidadosamente de geração em geração. 

Mas como é que todo este conhecimento se organiza? Quais são as ferramentas que o Yoga utiliza para promover o desenvolvimento integral do Ser Humano? 

É precisamente isso que vamos descobrir no próximo capítulo, ao explorar as 14 Disciplinas Técnicas do Yoga. 

5. As 14 Disciplinas Técnicas do Yoga  


Uma das ideias mais difundidas no Ocidente é que o Yoga se resume às suas posições. 

Na realidade, o Ásana é apenas uma das Disciplinas Técnicas que constituem o Yoga Sámkhya. 

Esta Filosofia dispõe de um conjunto de 14 Disciplinas Técnicas principais — para além de outras disciplinas complementares — que atuam sobre diferentes dimensões do Ser Humano, promovendo um desenvolvimento harmonioso do corpo, da energia, das emoções e da mente. 

Neste artigo não iremos aprofundar cada uma delas individualmente, pois cada disciplina constitui, por si só, um vasto campo de estudo. O objetivo é dar a conhecer a riqueza e a amplitude do Yoga. 

As 14 Disciplinas Técnicas do Yoga Sámkhya  

1. Samyama – Dhyána/Samádhi: Meditação / Iluminação, pelo controlo da frequência das ondas mentais;
2. Pránáyáma: Exercícios respiratórios de influência Pránika / energética – emocional, e neurovegetativa;
3. Ásana: Posições Psico-Pránobiofísicas;
4. Yoganidrá: Técnicas do relaxamento físico, emocional e mental;
5. Kriyá: Tonificação e limpeza orgânica;
6. Mantra: Domínio dos sons, da vibração e da Harmonia / Kírtanam: Sons extroversores;
7. Jápa Tala: Sons cadenciados concentradores;
8. Jápa Shesha: Sons contínuos elevadores;
9. Bandha: Dinamizações musculares e neuro-endócrinas;
10. Yantra: Símbolos concentradores de efeito psicossomático;
11. Pújá: Retribuições energéticas;
12. Mudrá: Gestos reflexológicos e energéticos feitos com as mãos;
13. Nyása: Toque energético e Projeção psíquica (Káma Mana/ Vijñána – da fonte Hiranya Garbha);
14. Mánasika: Mentalização, fortalecimento e cristalização da Vontade Consciente.

Cada uma destas disciplinas trabalha aspetos específicos do Ser Humano. Em conjunto, constituem um Grande Sistema desenvolvimento humano. 

5.1. Muito para além das posições 


Ao observarmos este conjunto de disciplinas, torna-se evidente que o Yoga é muito mais vasto do que normalmente imaginamos. 

Reduzir o Yoga apenas às suas posições é olhar para uma pequena parte de uma Filosofia extremamente rica e sofisticada, desenvolvida ao longo de milhares de anos. 

Como ouvi do meu Sat Guru Jí: 

“O Yoga é vasto como o Cosmos, de onde provém, e complexo como o Ser Humano, a quem se destina.”
 
Esta frase sintetiza, de forma notável, a dimensão do Yoga. 

Cada pessoa aproxima-se desta prática com motivações diferentes. Uns procuram melhorar a flexibilidade, outros desejam reduzir o stress, aliviar tensões ou encontrar maior equilíbrio emocional. 
Todas essas motivações são legítimas. 

No entanto, é importante compreender que representam apenas diferentes portas de entrada para uma Filosofia cujo alcance é muito mais profundo. 

5.2. A disciplina que mais se destacou no Ocidente 


Entre as catorze Disciplinas Técnicas, existe uma que conquistou um lugar muito especial no imaginário ocidental. 

Trata-se da Meditação. 

Hoje é frequente ouvir falar de meditação como se fosse uma prática independente do Yoga. 

Mas será que sempre foi assim? 

Será que Yoga e Meditação são realmente coisas diferentes? 

É precisamente essa relação que iremos explorar no próximo capítulo. 

6. O Yoga é Meditação: Samyama 


Depois de compreendermos a riqueza das Disciplinas Técnicas do Yoga, chegamos àquela que ocupa um lugar central em toda esta Filosofia: o Samyama. 

É precisamente aqui que encontramos uma das definições mais importantes do Yoga. 

No Yoga Sútra, Mahá rshi Patañjali inicia a sua obra de forma muito semelhante ao Yoga Sára Upanishad. 

Os dois primeiros versículos dizem: 

I.1 – Atha Yogánushásanam 
Agora, o ensinamento do Yoga. 

I.2 – Yoga chitta vrtti nirodhah 
Yoga é o controlo da frequência das ondas mentais. 

Esta segunda afirmação merece uma atenção especial. 

Ou seja, Patañjali diz-nos o que é o Yoga dando-nos a definição de Meditação (Samyama). 

Posto isto, segundo esta tradição, o Yoga é Meditação. 

6.1. Porque é que a Meditação ocupa um lugar central?  


Entre as catorze Disciplinas Técnicas do Yoga, o Samyama é considerado a disciplina principal. 

É através dela que o praticante poderá, um dia, alcançar a meta mais elevada proposta pelo Yoga: o Samádhi. 

No entanto, existe um aspeto muito importante. 

Embora a Meditação seja o centro da prática, ela precisa do apoio de todas as restantes Disciplinas Técnicas para ser potenciada. 

6.2. Preparar o corpo, a energia, as emoções e a mente  


Muitas pessoas perguntam-se porque é que o Yoga dedica tanta atenção ao corpo, à respiração ou ao equilíbrio emocional. 

A resposta é simples. 

Como permanecer em Meditação se o corpo não consegue permanecer confortável durante alguns minutos? 

Como estabilizar a atenção quando nos sentimos física ou energeticamente exaustos? 

Como aquietar a mente quando somos constantemente arrastados pelas emoções, pelas preocupações ou pela sucessão interminável de pensamentos? 

Antes de aprender a dominar a mente, o praticante aprende, gradualmente, a desenvolver domínio sobre si próprio. 

Cada Disciplina Técnica contribui para essa preparação. Pouco a pouco, o yogi cria as condições necessárias para um trabalho mais profundo sobre a mente. 

6.3. Um caminho gradual 


Vivemos numa época em que tudo parece exigir resultados imediatos. 

No Yoga, porém, o desenvolvimento acontece de forma gradual. 

Aprender a permanecer imóvel durante alguns minutos, observar a respiração ou estabilizar a atenção já representa, para muitas pessoas, um enorme desafio. 

E isso é perfeitamente natural. 

O domínio da mente não surge de um momento para o outro. 

É fruto de uma prática constante, paciente e consciente. 

Por isso, podemos dizer que o Yoga é, acima de tudo, um treino progressivo de autodomínio. 
“Yoga e Meditação”… ou simplesmente Yoga? 

É muito comum ouvirmos a expressão: 
“Yoga e Meditação”. 

No entanto, segundo a tradição do Yoga Sámkhya, esta separação não faz sentido. 

A Meditação não é uma prática independente do Yoga. 

Ela constitui a sua principal Disciplina Técnica. 

É para ela que converge o trabalho sobre as restantes Disciplinas Técnicas do Yoga e é através dela que o praticante poderá, um dia, alcançar a grande meta proposta pelo Yoga: o Samádhi. 

7. Yama e Niyama: os alicerces da prática do Yoga


Depois de conhecermos as catorze Disciplinas Técnicas do Yoga e de compreendermos a importância central de Samyama (Meditação), falta ainda abordar um elemento indispensável para compreender esta Filosofia.
 
Sobre que bases assenta a prática do Yoga? 

Se o Yoga procura promover o desenvolvimento integral do Ser Humano, esse desenvolvimento necessita de uma base ética sólida. 

É necessário desenvolver a forma como nos relacionamos connosco próprios, com os outros e com a vida. 

Como vimos anteriormente, o percurso deve estar sempre em harmonia com o grandioso fim. 

É neste contexto que surgem os Yama e os Niyama, apresentados por Mahá rshi Patañjali no Yoga Sútra como os princípios fundamentais das leis da Correta Ação – bases do Yoga. 

O próprio Patañjali afirma: 

“Estas proscrições constituem um grande voto universal, e não estão limitadas por classe social, lugar, tempo nem circunstância.” 
(Yoga Sútra II.31) 

Estes princípios são universais porque procuram orientar qualquer Ser Humano, independentemente da época ou da cultura em que vive. 

7.1. Os cinco Yama 


Os Yama dizem respeito às regras sociais, à forma como nos relacionamos os outros e com o mundo que nos rodeia. 

São eles: 

1. Ahimsá – Não matar (Não fazer guerras; usar sempre soluções diplomáticas). 
2. Satya – Não mentir; 
3. Asteya – Não roubar (Ser Honesto); 
4. Brahmacharya – Correta transmutação da energia; 
5. Aparigraha – Não cobiçar / Não invejar. 

7.2. Os cinco Niyama


Os Niyama dizem respeito às regras individuais, à relação que estabelecemos connosco próprios. 

São eles: 

1. Shaucha – Pureza 
2. Samtosha – Contentamento 
3. Tapas – Têmpera (pela autoexigência e pela autossuperação) 
4. Svádhyáya – Estudo profundo da antiga Sabedoria – Autoestudo, e introspeção (conhece-te a ti próprio) 
5. Íshvara Pranidhána – Desapego do resultado das ações. 

7.3. Um caminho de aperfeiçoamento contínuo 


Praticar Yoga não significa dominar perfeitamente todos estes princípios. 

Significa, antes de mais, assumir o compromisso de procurar evoluir continuamente. 

Como aprendi com o meu Sat Guru Jí, a evolução assemelha-se às ondas do mar: por vezes avançamos, por vezes parece que recuamos. O progresso raramente é linear. 

O importante é continuar o caminho, aprendendo com cada experiência e procurando dar, em cada momento, o melhor de nós próprios. 

Talvez seja precisamente esta proposta de aperfeiçoamento contínuo, baseada em valores intemporais, que tenha permitido ao Yoga atravessar milhares de anos mantendo-se vivo e atual. 

7.4. Revelar aquilo que já existe


O Yoga não procura criar um Ser Humano novo. 

Procura revelar aquilo que já existe em cada um de nós. 

Um diamante precisa de ser lapidado para revelar todo o seu brilho. 

O mesmo acontece com o Ser Humano. 

Através das suas Disciplinas Técnicas, dos Yama e dos Niyama, o Yoga oferece um caminho de desenvolvimento que nos permite revelar o nosso verdadeiro potencial, aquilo que sempre esteve presente. 

8. Afinal… o que é o Yoga?


Depois de tudo o que explorámos ao longo deste artigo, podemos regressar à pergunta inicial. 

Afinal, o que é o Yoga? 

O Yoga não é apenas um conjunto de Ásana. 
Não é apenas relaxamento. 
Não é apenas uma técnica de respiração. 

O Yoga é uma Sabedoria Multimilenar e uma profunda Filosofia prática de desenvolvimento humano. 
Ao longo deste artigo vimos que o Yoga chegou até aos nossos dias através da tradição oral, que se organiza em catorze Disciplinas Técnicas e que assenta em princípios éticos destinados a orientar o praticante no seu caminho de evolução. 

À medida que esse caminho é percorrido, a consciência expande-se gradualmente. 

O praticante começa a olhar para além das preocupações imediatas do quotidiano e desenvolve uma visão cada vez mais ampla, mais fraterna e mais universal da existência. 

Reconhece a sua ligação aos outros seres, à Natureza e ao Cosmos de que faz parte. 

É essa expansão gradual da consciência que conduz o Ser Humano à realização do seu potencial mais elevado. 

Essa é a caminhada proposta pelo Yoga. 


Espero que este artigo tenha contribuído para esclarecer o verdadeiro significado desta Sabedoria Multimilenar e que desperte em ti a vontade de continuar a explorar este caminho de autoconhecimento, desenvolvimento e transformação. 


Grata ao meu Sat Guru Jí e Paramá Guru por toda a transmissão de Sabedoria. 

OM Namah Paramá Guru 
OM Sat Gurave Namah 


Que haja amor e paz 
OM Bhakti Shántih  

Ouve o episódio completo no Yoga Tavira Podcast:

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